Qual a diferença entre poetas e profetas? Nenhuma.
Deus é
poeta porque gosta de comunicar-se com versos e metáforas. Sua
linguagem, carregada de símbolos, é hermética, misteriosa, para o
coração cru. Para entendê-lo, precisa-se de ouvidos espirituais,
sensíveis ao êxtase transcendental. Quando Deus declama o universo
baila.
Os olhos de Deus procuram homens e mulheres que se
disponham a encarnar seus sentimentos. Todo profeta foi chamado e
enviado por Deus. Porque seu compromisso é com a vida, só a vida, Javé
levanta homens e mulheres que se indignam com a sordidez, mas
apaixonados com o sublime. Portanto, toda linguagem poética é profecia.
Sua vocação sangra no texto, a expressão rítmica do coração de Deus
vaza na tinta de sua pena. O poeta pressente o que deveria ser, mas não
é; vê-se compelido a re-encantar os desanimados, a curar os
desesperançados, a destilar beleza de mundos imaginários em terras
áridas.
A matéria prima do profeta é a poesia. Como um artesão de
cristais, o profeta maneja as palavras de maneira simples, mas com
delicadeza mágica. Ele deseja mostrar que o cotidiano, com suas
contradições perversas, poderia seguir outra estrada. O profeta se
despeja no texto como óleo perfumado, faz-se lenho do fogo que aquece a
história. Desejoso de trazer os extremos numa síntese que promova o bem,
não esquece que o único absoluto é o amor, que o único bem é vida e que
o único alvo é a valorização do instante.
Poetas e profetas
rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Eles trocam os tapetes
pelo chão batido. Solitários, só obedecem o compasso do próprio coração;
indomáveis, revoltam-se com o ordinário; irrequietos, perturbam o
normal.
Poetas e profetas não defendem reputação. Alvos fáceis
dos ímpios quando negam a história – só as gerações futuras lhes fazem
justiça. Pedras do meio do caminho, chateiam; indestrutíveis, semeiam
trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário.
Poetas e
profetas são contraditórios. Jonas era compassivo e ranzinza; Fernando
Pessoa, repleto de heteronômios, otimista e pessimista; Drummond, ateu e
crente; Oséias, ingênuo e perspicaz; Vinicious, puro e devasso; Chico
Buarque, gênio e banal. Todos, algemados pelo amor, sentem-se livres
para vivenciar as inconsistências humanas.
Poetas e profetas são
alquimistas. Fazem das palavras poções que encantam; seus feitiços
temperam a vida. Os profetas criam sabores exóticos. Usam verbos fortes e
inebriam a imaginação. Só eles conhecem o segredo de transformar o
transcendental no plausível.
Poetas e profetas são alados; vivem
nas nuvens, mantêm perene parceria com os anjos; adoram no silêncio das
montanhas; escutam a bruma dos vales; agasalham-se sob o manto platinado
da lua. Os poetas não temem ausências, a solidão não lhes amedronta.
Profetas são selvagens como os tigres e os poetas, enigmáticos como as
águias.
Poetas e profetas nasceram no pé do arco-íris; resgatados
do Nilo, crescem como príncipes; sensíveis, choram com o ponteio da
harpa; tornam-se parceiros dos humildes, dos mansos e dos puros de
coração. Contudo, o destino deles é a cruz.
Marco JoseX
Deus é
poeta porque gosta de comunicar-se com versos e metáforas. Sua
linguagem, carregada de símbolos, é hermética, misteriosa, para o
coração cru. Para entendê-lo, precisa-se de ouvidos espirituais,
sensíveis ao êxtase transcendental. Quando Deus declama o universo
baila.
Os olhos de Deus procuram homens e mulheres que se
disponham a encarnar seus sentimentos. Todo profeta foi chamado e
enviado por Deus. Porque seu compromisso é com a vida, só a vida, Javé
levanta homens e mulheres que se indignam com a sordidez, mas
apaixonados com o sublime. Portanto, toda linguagem poética é profecia.
Sua vocação sangra no texto, a expressão rítmica do coração de Deus
vaza na tinta de sua pena. O poeta pressente o que deveria ser, mas não
é; vê-se compelido a re-encantar os desanimados, a curar os
desesperançados, a destilar beleza de mundos imaginários em terras
áridas.
A matéria prima do profeta é a poesia. Como um artesão de
cristais, o profeta maneja as palavras de maneira simples, mas com
delicadeza mágica. Ele deseja mostrar que o cotidiano, com suas
contradições perversas, poderia seguir outra estrada. O profeta se
despeja no texto como óleo perfumado, faz-se lenho do fogo que aquece a
história. Desejoso de trazer os extremos numa síntese que promova o bem,
não esquece que o único absoluto é o amor, que o único bem é vida e que
o único alvo é a valorização do instante.
Poetas e profetas
rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Eles trocam os tapetes
pelo chão batido. Solitários, só obedecem o compasso do próprio coração;
indomáveis, revoltam-se com o ordinário; irrequietos, perturbam o
normal.
Poetas e profetas não defendem reputação. Alvos fáceis
dos ímpios quando negam a história – só as gerações futuras lhes fazem
justiça. Pedras do meio do caminho, chateiam; indestrutíveis, semeiam
trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário.
Poetas e
profetas são contraditórios. Jonas era compassivo e ranzinza; Fernando
Pessoa, repleto de heteronômios, otimista e pessimista; Drummond, ateu e
crente; Oséias, ingênuo e perspicaz; Vinicious, puro e devasso; Chico
Buarque, gênio e banal. Todos, algemados pelo amor, sentem-se livres
para vivenciar as inconsistências humanas.
Poetas e profetas são
alquimistas. Fazem das palavras poções que encantam; seus feitiços
temperam a vida. Os profetas criam sabores exóticos. Usam verbos fortes e
inebriam a imaginação. Só eles conhecem o segredo de transformar o
transcendental no plausível.
Poetas e profetas são alados; vivem
nas nuvens, mantêm perene parceria com os anjos; adoram no silêncio das
montanhas; escutam a bruma dos vales; agasalham-se sob o manto platinado
da lua. Os poetas não temem ausências, a solidão não lhes amedronta.
Profetas são selvagens como os tigres e os poetas, enigmáticos como as
águias.
Poetas e profetas nasceram no pé do arco-íris; resgatados
do Nilo, crescem como príncipes; sensíveis, choram com o ponteio da
harpa; tornam-se parceiros dos humildes, dos mansos e dos puros de
coração. Contudo, o destino deles é a cruz.
Marco JoseX
