terça-feira, 26 de outubro de 2010

Profetas

Qual a diferença entre poetas e profetas? Nenhuma.
Deus é
poeta porque gosta de comunicar-se com versos e metáforas. Sua
linguagem, carregada de símbolos, é hermética, misteriosa, para o
coração cru. Para entendê-lo, precisa-se de ouvidos espirituais,
sensíveis ao êxtase transcendental. Quando Deus declama o universo
baila.
Os olhos de Deus procuram homens e mulheres que se
disponham a encarnar seus sentimentos. Todo profeta foi chamado e
enviado por Deus. Porque seu compromisso é com a vida, só a vida, Javé
levanta homens e mulheres que se indignam com a sordidez, mas
apaixonados com  o sublime. Portanto, toda linguagem poética é profecia.
Sua vocação sangra no texto, a expressão rítmica do coração de Deus
vaza na tinta de sua pena. O poeta pressente o que deveria ser, mas não
é; vê-se compelido a re-encantar os desanimados, a curar os
desesperançados, a destilar beleza de mundos imaginários em terras
áridas.
A matéria prima do profeta é a poesia. Como um artesão de
cristais, o profeta maneja as palavras de maneira simples, mas com
delicadeza mágica. Ele deseja mostrar que o cotidiano, com suas
contradições perversas, poderia seguir outra estrada. O profeta se
despeja no texto como óleo perfumado, faz-se lenho do fogo que aquece a
história. Desejoso de trazer os extremos numa síntese que promova o bem,
não esquece que o único absoluto é o amor, que o único bem é vida e que
o único alvo é a valorização do instante.
Poetas e profetas
rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Eles trocam os tapetes
pelo chão batido. Solitários, só obedecem o compasso do próprio coração;
indomáveis, revoltam-se com o ordinário; irrequietos, perturbam o
normal.
Poetas e profetas não defendem reputação. Alvos fáceis
dos ímpios quando negam a história – só as gerações futuras lhes fazem
justiça. Pedras do meio do caminho, chateiam; indestrutíveis, semeiam
trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário.
Poetas e
profetas são contraditórios. Jonas era compassivo e ranzinza; Fernando
Pessoa, repleto de heteronômios, otimista e pessimista; Drummond, ateu e
crente; Oséias, ingênuo e perspicaz; Vinicious, puro e devasso; Chico
Buarque, gênio e banal. Todos, algemados pelo amor, sentem-se livres
para vivenciar as inconsistências humanas.
Poetas e profetas são
alquimistas. Fazem das palavras poções que encantam; seus feitiços
temperam a vida. Os profetas criam sabores exóticos. Usam verbos fortes e
inebriam a imaginação. Só eles conhecem o segredo de transformar o
transcendental no plausível.
Poetas e profetas são alados; vivem
nas nuvens, mantêm perene parceria com os anjos; adoram no silêncio das
montanhas; escutam a bruma dos vales; agasalham-se sob o manto platinado
da lua. Os poetas não temem ausências, a solidão não lhes amedronta.
Profetas são selvagens como os tigres e os poetas, enigmáticos como as
águias.
Poetas e profetas nasceram no pé do arco-íris; resgatados
do Nilo, crescem como príncipes; sensíveis, choram com o ponteio da
harpa; tornam-se parceiros dos humildes, dos mansos e dos puros de
coração. Contudo, o destino deles é a cruz.

Marco JoseX

domingo, 24 de outubro de 2010

E lendo diariamente as escrituras..

Estou há quase um ano lendo o Livro Sagrado. Iniciei minha jornada no dia 1º.  de  janeiro lendo três capítulos por dia e cinco aos domingos.
Tendo chegado agora no Novo Testamento, na leitura de Marcos, Capítulo 10, versículo 46/52 e enquanto lia me encheu de luz o meu espírito. Havia um cego e mendigo à beira do caminho e,  ouvindo que chegava Jesus, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim! Muitos o repreendiam e ele gritava mais: Filho de David, tem compaixão de mim! Jesus parou e disse: Chamai-o. Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça?

Quando cheguei a este ponto estanquei. Imagina o Filho de Deus perguntando: O que queres que eu te faça? Imediatamente me lembrei de Salomão, a quem Deus mandou um  anjo fazer-lhe quase idêntica pergunta. E que Salomão respondeu? Quero sabedoria! Mas agora estava  diante da pergunta do Mestre Jesus. Que queres que eu te faça? Era como se um anjo do Senhor estivesse em meu ouvido: Vai, responde. O Filho do Deus Vivo te pergunta. “Que queres que eu te faça?”

Voltei a leitura e lá esta: “ Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver.”

Minha imaginação voltou a se iluminar e eu respondi em alto e bom  som ao Anjo que estava em minha mente: Senhor Jesus, eu quero poder enxergar também. Só quero isto, poder ver como são as coisas sob as leis do Senhor e assim estarei em paz e na graça Dele.
Jesus disse ao cego: Vai, a tua fé te salvou.

Eu fechei a Bíblia e cerrando também os olhos agradeci o milagre que se deu.


Marco JoseX